Moda é cultura

Para que serve a moda?

betty-grable-paper-doll-by-shackman76fbb60c2b2aca44f9c27d8032252234

Me choca cada vez que escuto a opinião pré-histórica de que moda é um assunto fútil.

Certamente quem expressa este tipo de ideia deve achar também fútil o esporte, a arquitetura, a arte, o prazer de saborear um bom vinho ou se emocionar com um filme. Moda é como tudo isto e muito mais. Moda é diversão, prazer e uma poderosa indústria que certamente sustenta alguém da família de pessoas que ainda conservam esta ideia retrógrada.

Mundo sem moda

paperdollss

Enxergando a moda pelo lado estético, como seria o mundo se não existissem as roupas?

Todos vestiriam uniformes iguais, certamente.

Mesmo os que acham a moda bobagem devem concordar que a maneira que vestimos expressa muito da nossa personalidade ou intenção.

Como poderíamos nos fazer notar em um momento de sedução? Os pássaros cantam e alguns animais mudam de pele para conquistar o par.

Como faríamos para nos sobressair perante outros candidatos ao mesmo emprego? Em um mar de profissionais nadando com currículos similares, sobrevive quem estiver vestido com o que mais tem a cara da empresa.

Mesmo quem tem aversão a moda terá que se render a sua importância em momentos de festa ou encontros formais.

Não resta dúvida que quando nos sentimos vestidos adequadamente, adquirimos autoconfiança e enfrentamos qualquer situação com mais segurança.

A hora de se apresentar para uma oportunidade de trabalho, é um exemplo. Quanto melhor o cargo almejado, melhor deverá ser a aparência do candidato.

Neste caso o vestir também se transforma em uma ferramenta profissional.

O homem é o único ser que pode mudar de cor, textura e personagem a hora que quiser, bastando apenas trocar de roupa.

A moda não faz bem só para o corpo, mas também para a cabeça, pois ao trocar as tendências se recicla conceitos ultrapassados.

Os bilhões que a moda movimenta

10253746_280573338770090_1191829883417947213_n

 A indústria da moda movimenta bilhões e é uma das principais economias em países como a França e Itália.

Se você acha que Gisele Bündchen ganha muita grana, imagine quanto fatura quem a contrata.

Se ainda não se sensibilizou com a grandeza da moda, pense na parte social.

No Brasil, onde o consumo e exportação de moda são pouco expressivos, a indústria de roupas e artefatos em toda a sua cadeia geram a segunda maior fonte de empregos, só perdendo para o pool automobilístico.

Milhões de pessoas se alimentam da moda em uma indústria que não tem preconceitos com a idade ou sexo, pois emprega desde pessoas muito jovens até talentosos artesões maduros.

A idade e a experiência neste mercado valem dinheiro.

Este é um universo que não descrimina gays e onde as mulheres têm geralmente melhores salários que os homens.

Se a moda não existisse quantas pessoas estariam desempregadas e como seria aparência dos seres humanos?

Se ainda vestíssemos como homens das cavernas não existiria a cultura e nem o design.

A existência da moda refinou o gosto, sofisticou gerações e serve de arma para as liberdades das mulheres no século Vinte. A minissaia, as calças compridas usadas profissionalmente, as transparências e o próprio biquíni foram alguns lançamentos que colaboraram nas vitórias femininas.

Vestir a moda transformou mulheres como Jaqueline Kennedy, Lady Di e Audrey Hepburn em ícones de eterna elegância.

E não dá nem para dizer que moda é para a elite. Grandes redes de loja promovem o que existe de mais fashion por preços populares, o chamado “fast-fashion”.

A moda é testemunha dos altos e baixos do mundo. A primeira avaliação histórica é a visual. Através dela é possível diagnosticar a cultura, conhecimento e riqueza de um povo.

Moda também é saudável para a economia e imagem de um país.

Comentou-se nos anos oitenta que a invasão dos japoneses na moda francesa (“Comme des garçon”, Yojhi Yamamoto, entre outros) foi financiada pelo governo japonês em busca de uma nova imagem para os produtos orientais. Verdade ou não, após o sucesso destes estilistas, o mundo ocidental começou a enxergar o Japão com outros olhos e investimentos. O Japão que poucos conheciam se tornou fashion proporcionando muitos negócios comerciais.