Entenda o que é o genderless?

A moda adotou este conceito e o “sem gênero” virou febre mundial

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Genderless não tem nada de homossexual na sua essência.

É apenas um termo usado para designar um vestuário que pode ser usada por ambos os sexos.

Afinal, o que é o genderless?

O movimento genderless, que significa não possuir identidade de gênero, se manifestou inicialmente na moda por meio de peças como calça boyfriend e skinny, sapatos oxfords, comprimentos mais curtos para homens e ternos para as mulheres.

Esta revolução na maneira de vestir fez com que grandes grifes de luxo também englobassem a ideia.

Givenchy, Prada e tantas outras apresentaram looks masculinos e femininos em uma mesma coleção, independentemente da designação de gênero do evento em questão.

“Cada vez mais sentimos que é certo traduzir a mesma ideia e tendência para ambos os sexos”, declarou Miuccia Prada ao The New York Times.

Quando alguém deste porte fala algo desse tipo é porque a proposta merece atenção.

As redes de fast fashion já se engajaram no tema

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A Zara, inclusive, lançou uma linha polêmica que se autodenominava genderless.

A adição da palavra emprestada do inglês gerou revolta em alguns dos clientes da marca porque, apesar da boa intenção, as roupas não passavam de moletons, camisetas e calças jeans – peças há anos usadas por homens e mulheres. Ou seja, novidade nenhuma.

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A H&M usou cliques também transgêneros.

Tudo isso, claro, para mostrar o apoio da label à nova era. Como resultado a label viu não só mais interesse do mercado pela marca, como também a procura do público masculino pelas suas peças.

A Selfridges ganhou manchetes ao abrir uma sessão totalmente livre gêneros, chamada Agender, com marcas como Nicopanda, criada por Nicola Formichetti, e Toogood, que pelo sucesso que fizeram, se mantiveram na gigante da moda.

A ideia da Selfridges é até mesmo tornar o espaço físico, e estudos já estão sendo feitos para a viabilização da ideia.

Calvin Klein anunciou a sua primeira fragrância sem gênero esse ano, deixando de lado o termo “unissex”, para abraçar aqueles que preferem não serem definidos como homens ou mulheres.

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No desfile de alta costura de inverno 2016, a Chanel apostou na noiva genderless, desfilando um terninho branco com uma cauda de tule.

A C&A também acabou se tornando uma referência no assunto com a campanha “Tudo Lindo & Misturado” que mostra modelos com looks emprestados das seções masculina e feminina: um convite para que os clientes da rede “passassem a se vestir com mais liberdade, explorando novas fronteiras”.

Moda Unissex

O genderless lembra um movimento semelhante, o unissex, que surpreendeu nos anos 1970. Camisetas, calças de alfaiataria, jaquetas jeans e camisas sociais eram as peças que antes facilmente homens e mulheres compartilhavam.

Agora um guarda-roupa inteiro de possibilidades pode estar ao dispor dos dois sexos.

Túnicas (que lembram vestidos), bermudas, coletes, casacos, sapatos e muito mais.

Homens mais modernos apostam até em saias masculinas.

Nas fotos de editoriais e campanhas atuais, é difícil saber se as peças são destinadas a homens ou mulheres.

Estilo Genderless

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As formas são clássicas e em algumas versões ganham cortes modernos, como golas maiores e calças que ora se afunilam, ora se abrem amplamente.

As cores ficam nos neutros: preto, cinza, azul marinho, verde, bege, branco, off white e marrom.

O blazer é a peça chave do ‘genderless’, com variações de punhos, golas, lapelas, comprimentos e bolsos.

Combinado com calça ou bermuda o blazer ganha corte unissex, alongado, slim ou mais folgado, lembrando os modelos usados na década de 1990.

Universalizar a moda de verdade seria se todo mundo pudesse dividir não só os códigos masculinos de indumentária, mas também os femininos.

Não acho que isso possa ser considerado como um fenômeno social ainda.

Pode até estar na passarela, ter desfiles e estudos mais aprofundados sobre o assunto, mas acho que ainda demorará muito tempo para ser bem aceito nas ruas por parte do público masculino.

Só teremos um guarda-roupa realmente sem gênero quando uma saia não for mais algo tipicamente dirigido exclusivamente para as mulheres.

Vários designers dedicados ao “genderless” estão ganhando destaque na mídia e nas vendas

Jonathan Anderson

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Desfilou meninos de vestidos, tops e shortinhos de lã com babados na da Semana de Moda de Londres no inverno 2013. A coleção foi tão comentada que ele foi contratado para ser o diretor criativo da Loewe.

As roupas para garotos se misturaram ao que se entende como ladylike, formando uma imagem que refrescou o olhar dos fashionistas. Depois disso, o debate acerca dessa divisão explodiu no circuito da moda.

Hood by Air

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Sob comando de Shayne Oliver, a grife com influencias nas ruas mostrou propostas na Semana de Moda de Nova York chocantes.

O estilista investe em cachorros, muletas de armas de fogo e maxichokers de acrílico.

Eckhaus Latta

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Também surge à frente desse movimento na NYFW.

Suas peças desestruturadas servem qualquer tipo de corpo e a passarela em que o designer se apresenta deixa isso muito claro. Modelos de todas as cores, formas e tamanhos desfilam por lá.

Vejas Kruszewski

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O canadense está sendo indicado ao prêmio LVMH.

Com a modelo trans Hari Nef como sua garota-propaganda e musa, ele tem surpreendido por seus shapes arredondados e estilo college reinventado.

TRENDT

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De Renan Serrano. Uma das pioneiras a repensar a ordem de gênero nas roupas no Brasil, a etiqueta conhecida por seus camisetões com transparências e modelagens oversized aderiu a trend para otimizar os negócios. “Uma vez que o mesmo produto funciona para mais pessoas, você não precisa produzir tanto.”

Ocksa

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De Porto Alegre fundada por Deisi Witz e Igor Bastos que apresentam suas coleções na Casa de Criadores.

“Foi algo que surgiu com muita naturalidade. Nós trocávamos de roupa um com o outro e, por isso, percebemos que não havia motivos para fazer diferenciações”, justifica Igor.

Cemfreio de Victor Apolinário

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Para a marca paulista a regra é o conforto. Quando essa é a prioridade, o masculino e feminino deixam de fazer sentido: o foco está em deixar tudo mais prático.