O Futuro é Plastico

Plástico como material de destaque no verão 2018 da Chanel

Chanel “embrulhou” tailleurs e vestidos em capas e acessórios de PVC  prevendo um verão úmido.

Em um jogo de transparência e iridescência, o plástico apareceu nas luvas, botas e maxibolsas.

Os colares e pulseiras de cristal enormes com a mesma proposta transparente do plástico.

Capas de plástico também protegeram jeans loose bicolores, estampas de céu, looks em cores post it, paetês que dão efeito molhado, minissaias plissadas de tenista e minitubinhos na coleção.

Plástico na moda

Com a popularização das impressões 3D, o plástico parece ser o material mais adequado para o figurino do futuro.

Imagine encomendar uma bolsa Chanel e ela se materializar na sua impressora 3D, ou um vestido incrível que é confeccionado pela tecnologia. 

A moda anda sempre atrás de novos materiais para renovar soluções já testadas em matéria de modelagens, estilos e tendências.

Matérias primas inovadoras e muitas vezes alternativas são diariamente testadas em busca de propostas que se tornem “consumo”.

Roupas ou tecidos trabalhados com silicone, látex, borracha, couro biológico, micro fibras, tecidos feitos com fios de metal ou lixo reciclado, fibras naturais de outras fontes como as teias de aranha ou folhas de bananeira parecem experiências de algum estilista enlouquecido e super alternativo, mas é a busca pelo inédito que faz a moda tão interessante e renovadora.

 

Mas ao mesmo tempo que o plástico é celebrado e se vira em múltiplos usos, a sua permanência nos aterros sanitários sem se deteriorar por muitos anos apavora ao discurso de sustentabilidade do meio ambiente.

Mas parece que este problema foi resolvido e a moda pode usar o plástico com a segurança de não agredir a natureza

O Novo Plástico Verde

A empresa Braskem, maior fabricante de resinas termoplásticas das Américas já produz peças exclusivas em impressão 3D com Plástico Verde, para demonstrar que o plástico pode contribuir com a sustentabilidade no mercado de moda.

O Plástico Verde foi desenvolvido com tecnologia brasileira, tem a cana-de-açúcar como matéria prima e seu principal diferencial é a contribuição para a redução da emissão dos gases do efeito estufa na atmosfera, já que captura gás carbônico durante o processo de crescimento da cana, além de se deteriorar facilmente.

A coleção da “La Garçonne” que foi apresentada em 16 de março de 2017, mostrou pulseiras e botões totalmente personalizados e confeccionados na impressora 3D da “Made In Space”, parceira da Braskem no projeto “Imprimindo o Futuro”, que levou o plástico de origem renovável para a impressão 3D, em gravidade zero, na Estação Espacial Internacional, no ano passado.
Usado pela primeira vez na moda, o Plástico Verde tem total aderência com a proposta da moda sustentável em cima de conceitos de preservação ambiental, reciclagem, upcycling e reúso.

Passarelas Plastificadas

Desfile da Burberry do inverno de 2011 e da Chanel com capas de plástico em cima dos maiôs

Grandes marcas e estilistas vêm produzindo peças sintéticas que se tornam itens de desejo

Garret Pugh, outono inverno 2014/15

Matéria plástica

O plástico, hoje completamente absorvido pela sociedade de consumo e pela moda também pareceu um “E.T.” ao ser lançado.

O plástico é uma substância que se assemelha a resina e é moldado por pressão e calor para criar uma série de utilidades para as necessidades do dia a dia, inclusive no vestuário, desde botões até bolsas e sandálias.

O plástico foi introduzido no mercado por volta de 1870

Seu uso era estritamente industrial, sendo designado para produção de tampas dos distribuidores de automóveis e escovas de dentes.

Aos poucos, em pequena escala começou a substituir materiais naturais de alto custo como o marfim, casco de tartaruga ou a madrepérola.

A partir de 1930, artistas e designers de vanguarda começaram a explorar o que chamaram de “material miraculoso”, pela maleabilidade e infinitas possibilidades em cor e textura.

Peças feitas em baquelite, celulose ou acrílico se tornaram símbolo de status e avant-garde.

Na moda a costureira francesa Elsa Schiaparelli fez vestidos em celofane transparentes, bolsas e botões de plásticos.

Na decoração, o interior do Radio Music Hall, em Nova York e do transatlântico Queen Mary eram modernamente laminados com plástico.

Relógios e bolsas foram produzidas em baquelite, assim como solas de sapatos, cadeiras, cinzeiros e o que mais se pode imaginar feito em plástico.

Com tantas utilidades o que na época era considerado material de vanguarda e refinamento acabou atingindo as massas.

Nos anos 1960 o plástico voltou a moda em capas e vestidos de PVC e vinílicos propostos por estilistas da vanguarda como Pierre Cardin, Courrèges e Paco Rabanne.

Nos anos 1960, o estilista André Courrèges foi um dos pioneiros ao incorporar vinil e PVC em sua moda futurista.

Por suas características, o plástico era perfeito para o estilo “espacial” da moda do estilista.

A Prada foi uma das grandes responsáveis por emplacar sapatos e bolsas feitos com o material.

Antes do sucesso das Melissas,, da empresa Grendene, existiam as sandálias Medusa (“méduses”) francesas , hit nos anos 1970 e quem as vendia no Rio de Janeiro era a butique “Sônia Bernardo” em Copacabana.

Vinham da França e os homens preferiam as de cor leitosa.

Eu era apaixonado. Tinha duas, uma cor de Coca-Cola e outra vermelha que faziam muito sucesso.

As sandálias medusa eram usadas por europeus nas praias para que não ferissem os pés nas pedras ou ouriços.

As praias francesas não tem areia e a as pedras redondinhas machucam pés nus.

Nos anos 1970 foram adotadas pelos jovens como calçados urbanos e se tornaram moda.

Vanguarda

No Brasil a Grendene deu um tratamento de moda as sandálias de plástico convidando grandes nomes da moda para assinarem um modelo autoral, tornando-se a lançadora internacional neste segmento.

A marca brasileira de acessórios de plástico já fechou parcerias  com Vivienne Westwood, Gareth Pugh, Jason Wu e muitos outros.Nos recentes desfiles franceses para os lançamentos verão 2018, a Melissa vestiu os pés vanguardistas do desfile da Comme des Garçons, uma das marcas mais respeitadas no universo da moda, sendo uma das grifes responsáveis pelo estilo “pauperrisme” que revolucionou o mercado de moda nos anos 1980.A grife fundada por Rei Kawakubo, uma das mais ousadas e conceituais da história da moda, ganhou até exposição no MET — a única dedicada a uma estilista ainda viva e trabalhando.Na collab, a japonesa criou duas versões de um mesmo modelo de sapato com salto quadrado: um total preto e outro que mistura a textura do plástico tradicional da Melissa com um pouco de serragem.