O Criador do Futuro

André Courrèges, O Costureiro Futurista

Antes de Karl Langerfeld (no desfile da Chanel) colocar um Foguete Espacial na passarela e roupas com estampa de cosmonautas, outro grande estilista pintou de futuro a moda dos anos 1960

 

 ” Hoje, a mulher é igual ao homem: trabalha, tem mil afazeres. Por isso é preciso facilitar sua vida e lançar mão de todo o avanço tecnológico que traz essa facilidade . “

André Courrèges, nasceu em Pau, na França em 09 de março de 1923

Se estivesse vivo ele  teria completado 94 anos este mês.

Um dos pioneiros da moda, Andre Courréges morreu em sua casa, aos 92 anos no dia 7 de janeiro de 2016, após uma luta de 30 anos contra o mal de Parkinson.

O presidente da França, François Hollande, descreveu o estilista como um designer revolucionário.

Courrèges clama para si a invenção da minissaia no início dos anos 1960.

Ele abriu sua marca em 1961 e virou um dos ícones do que ficou conhecido como a era “Space Age” na moda, tornando-se um dos principais nomes da década. Brigitte Bardot, Catherine Deneuve, Jackie Kennedy estavam entre as musas que vestiam suas criações, como as famosas saias plásticas e minivestidos com recortes geométricos

O passado do futurista

Courregès cursou engenharia civil , mas em pouco tempo largou a carreira e foi para Paris para trabalhar em uma  pequena casa de moda.

Em 1949 assumiu a Balenciaga até 1961, quando abriu seu próprio ateliê e passou a investir na concepção e fabricação de suas próprias roupas, aliando o design à produção industrial (em série) pela primeira vez na história da moda.

Ele desenhava, produzia e distribuía suas roupas.

Seu sucesso só não foi mais duradouro devido à crise econômica da década de 1970 e  a mudança de direcionamento de sua carreira, mas seu nome está marcado na história da moda.

B

Courregès é mito

Courregès era um visionário, futurista e minimalista .

Seu estilo puro e minimalista foi influenciado pela arquitetura e pelo design, presentes nas linhas retas de suas criações, formas geométricas e seu apurado equilíbrio técnico e artístico.

Em 1965 lançou a histórica coleção inspirada no futurismo, conhecida como ” Era Espacial ” (Space Age ).
A coleção branca produziu sobre a alta-costura efeito semelhante ao New Look, de Dior ( 1947 ), idealizando a ” mutante” mulher do ano 2000.

Para Courregès, a mulher do ano 2000 – do futuro – era andrógena, sempre vestida com roupas plásticas, metalizadas , numa visão espacial.

Para tanto, criou roupas com materiais sintéticos , plásticos e cores metálicas.

O espírito jovem da época ficou imortalizadas nas suas garotas lunares, de minissaias, botas e óculos grandes.

Tudo branco, prata e em cores fluorescentes no mais puro estilo ” viagem espacial”.

A Era Espacial 

Os vestidos eram curtos e cortados em linhas simples.
A maior parte das roupas eram usadas com botas que iam até a canela e tinham bico quadrado ( geralmente feita de couro branco ).
Um chapéu grande em forma de elmo completava o conjunto .
Audrey Hepburn foi uma de suas maiores clientes e foi vestida por ele no filme “Two for the road”

Tudo é muito moderno

 Ele inaugurou na França o reinado das minissaias , calças e malha colante.

Courregès lançou saias muito curtas, mini-vestidos com calças e terninhos em branco e prata, calças tubo e calças de corte enviesado, vestidos brancos com detalhes beges e vice-versa, botas brancas que iam até o meio da canela e óculos angulosos.
Os  vestidos e casacos simples eram severos em formato trapézio , debruados em cores contrastantes.
No final dos anos 1960, suavizou a austeridade de suas roupas, usando curvas e apresentou macacões cosmonauta, catsuits de malha; mantôs com pespontos circulares em relevo em volta da cava e no tronco.
As coleções em branco ganharam detalhes em laranja, azul marinho, cor de rosa e azuis fortes.
Ele fechou a sua casa em 1965, reabrindo no ano seguinte para atender a diversos clientes de alta-costura, e para criar coleções de prêt-à-porter a preços baixos. Suas coleções da década de 1970 apresentavam roupas de tecidos e cores mais suaves, muitas , adornadas com babadinho.
Em 1972 foi convidado para criar uniformes oficiais dos Jogos Olímpicos de Munique.
No mesmo ano lançou seu primeiro perfume, Empreinte.
Se aposentou em 1996 , deixando sua mulher, Coqueline Courregès , como sua diretora artística.
Em 2011 vendeu sua grife para dois investidores, Frederic Torloting e Jacques Bungert, executivos da agência de publicidade Young & Rubican.