Nunca haverá outro vestido igual

Rita Hayworth fez história com o filme ”Gilda“, onde interpretou uma femme fatale que incendiaria a imaginação dos homens eternamente.

O vestido foi criado para ilustrar que a “sexualidade extrema” em mulheres era uma receita para catástrofe.

A cena em que usa um vestido de cetim preto, tomara que caia, com laço lateral e luvas longas pretas é histórica: ela canta “Put the Blame on Mame” e começa um striptease que não passa das luvas.

Rita Hayworth (Margarita Carmen Cansino; Nova Iorque, 17 de outubro de 1918 — Nova Iorque, 14 de maio de 1987) foi uma atriz norte-americana de ascendência hispano-irlandesa, que atingiu o auge na década de 1940 e tornou-se um mito eterno do cinema.

É na cena da performance de ‘Put The Blame on Mame’ que o telespectador vê o icônico vestido preto de Rita Hayworth que parece desafiar a gravidade.

Nunca houve outra mulher como Gilda e nunca haverá outro vestido mais icônico do que o “tomara-que-caia” usado pela atriz neste clássico de Hollywood.

Rita já havia sido escolhida pela revista americana “The Look” como a atriz mais bem vestida dos anos 1940 e a aparição neste filme confirmou o seu estilo.

O vestido preto usado Rita Hayworth no filme Gilda (1946) se tornou um clássico de moda e colocou o decote “tomara-que-caia” como símbolo da sensualidade.

Depois deste filme o decote e Rita Hayworth nunca mais saíram de moda.
O vestido usado pela atriz no filme é de cetim preto e não vermelho, amarelo ou azul como aparecia em alguns cartazes que eram pintados à mão na época.
Como os filmes não eram coloridos, muita gente via os cartazes e ficavam imaginando o  tal vestido com cores inexistentes.
O modelo sem alças, possuía uma fenda que revelava as pernas com um laçarote na lateral, foi criado pelo figurinista Jean Louis.
Jean Louis, designer da Columbia Pictures, colaborou com a atriz Rita Hayworth, em nove filmes de 1945 até 1959.

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Jean Louis fez um figurino que complementou cada curva de Rita e também não era para menos: ele já havia trabalhado com ela em mais de seis películas.
Sobre a estrela, uma das mais queridas com quem conviveu durante seu trabalho no estúdio Columbia, Jean Louis a cobriu de elogios: “Rita Hayworth era a mais divertida e linda. Não tinha nada de comum sobre ela. O seu nariz, seu queixo eram extraordinários. E suas pernas, tão tão longas.”
A única “falha” no corpo de Rita (de acordo com os padrões de beleza vigentes, que fique claro) era que ela não tinha uma cintura fina.
Assim, Jean enfatizava a parte do meio do corpo de Rita com cintos bem apertados, para que desse a ilusão que ela tivesse uma cintura fina e quadris mais largos.
Para Gilda Jean Louis gastou a grande quantia de U$ 60 mil, o que convertido para os dólares de hoje daria em torno de quase U$700 mil.
A revista Life Magazine de 4 de fevereiro de 1946 ficou tão impressionada com o alto valor do figurino que fez uma matéria detalhando cada item do guarda-roupa de Rita para a película.
Analisar o guarda-roupa de Rita Hayworth para o filme é entender sua personagem, em cada curva e símbolo, “um ingrediente essencial na fórmula que criou a imagem de Rita Hayworth”.
  

Para criar este vestido para Gilda, Jean Louis se inspirou na famosa pintura Madame X, de John Singer Sargent,  feita em 1884 representando a socialite Virgine Gatreau, conhecida tanto por suas infidelidades quanto por sua beleza.

Os ombros nu da modelo com a alça do vestido caindo (em sua concepção original) e o perfil totalmente descoberto representam bem a personagem: Virgine causou uma verdadeira comoção em 1884 com sua representação no quadro.

Gilda, no filme, causa a mesma impressão: seu striptease das luvas, sua dança sensual, tudo é elevado ao extremo para chocar tanto a audiência quanto Johnny.

Em sua concepção original, a pintura tinha uma das alças do vestido preto caídas, mas o choque da sociedade francesa foi tão grande, que John fez uma pequena alteração, colocando a alça em seu devido lugar.
Outro ponto importante é o uso do cinto em volta da cintura de Rita. As gravações de Gilda começaram em 4 de setembro de 1945, nove meses depois da atriz dar à luz Rebecca, sua filha com Orson Welles.

A atriz  ainda não havia perdido todo o peso que ganhou na gravidez e exibia uma pequena barriga.

Jean Louis contou que o nó do lado esquerdo do vestido não foi por acaso: “Para emagrecer sua cintura, um pouco mais cheia desde que ela teve um bebê, eu imaginei um cinto drapeado, amarrado do lado.”
A construção do vestido, feito em tomara-que-caia para acompanhar o conceito de sensualidade da época vigente, foi construído de tal modo para parecer que fluía pelo seu corpo.
Como Jean Louis revelou para a revista People em 1987, os meios para atingir esse resultado não foram nada fáceis:
“O vestido mais famoso que fiz foi um de cetim preto que desenhei para Rita Hayworth em Gilda.
Todo mundo se perguntava como o vestido não caia enquanto ela dançava Put The Blame on Mame.
Dentro tinha arreios de como você colocava em um cavalo.
Nós colocamos gorgurão (tecido mais grosso) debaixo do busto com dardos e três cintas, um no meio e dois dos lados. Então moldamos o topo do vestido com plástico.
Pobre Rita, ela ensaiava tanto, os pés sangravam, mas o vestido não caia.

Em abril de 2009, o vestido foi a leilão no espólio de Forrest J. Ackerman .

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Na descrição do lote foi especificado que o vestido ainda tinha a etiqueta “propriedade da Columbia Pictures” e “Rita Hayworth” costurado dentro.4

O preço inicial foi estimado entre US $30.000 e US $50.000, mas o lote foi retirado antes de alcançar o leilão.
Mais tarde, em setembro de 2009, o vestido apareceu misteriosamente em um leilão no eBay com um preço inicial de US $30.000.
A famosa cena com o vestido preto tem sido referenciada em vários filmes.
Um dos mais lembrados é a paródia cantada por Jessica Rabbit no filme “Who Framed Roger Rabbit”.

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