Fora dos padrões

Existe uma preocupação em algumas mulheres de encarar as medidas das top models, que emprestam seus corpos enxutos para vender roupa intima, como se curvas, bumbum e cintura grossa fossem fora do padrão.

 

Isto é uma inversão de valores.

Fora do padrão é uma Alessandra Ambrósio e suas colegas de profissão.

Tanto que ganham milhoes de dólares e contratos duradouros para que permaneçam neste padrão de beleza fora da realidade dos mortais.

Nós pessoas comuns que nos admiramos com a perfeição das modelos famosas, com o belo, assim como nos deslumbraríamos com uma estátua de Rodin temos uma silhueta normal.

Alguns mais volumosos, outros menos mas se olhar em volta nos parecemos mais com o vizinho do lado do que com a Izabel Goulart, não é mesmo?

Corpo de modelo magro é uma atitude profissional para caber nos mostruários.

Quem está longe das passarelas pode ser feliz como é. Não existe um padrão único e sim a mágica de sermos cada um de um jeito pessoal.

Padrão pessoal

 

As vitrines já estão mostrando o verão.

Shortinhos e bermudas para corpos enxutos, vestidos esvoaçantes valorizando barriguinhas perfeitas e minissaias curtas suficientes para expor meio corpo.

A moda de verão está linda, sexy.

Alegria para alguns, desespero para muitas.

Como vestir tão pouco pano em corpos com quilos a mais e o mais importante, se sentir bem e na moda?

Por um bom tempo, a estética do magro promete ser padrão no mundo da moda, povoado de manequins com muito osso e pouca carne.

É que a moda é uma indústria e o padrão magérrimo das modelos é definido pelo tamanho das amostras, geralmente fabricadas no manequim 38.

Nesta numeração os detalhes ficam mais evidentes, gasta-se menos tecido (escasso para os mostruários), o tamanho facilita o manuseio pelos compradores e as amostras podem viajar com o representante comercial em menos espaço físico.

Vestir este mostruário exige mulheres com as medidas das peças. Tamanho 38. O tamanho é padrão no mundo da moda.

Tanto que o mesmo mostruário desfila em Paris ou Moscou sem precisar ajustes.

Já pensou se cada manequim tivesse um corpo diferente?

Os desfiles teriam que ter o padrão de alta-costura com cada peça feita sob medida nas garotas.

Para facilitar, medidas padrões são exigidas.

O problema é que as mulheres em geral se identificam não só com as roupas, mas com a silhueta que as vestem.

Acreditam que para acompanhar a moda é preciso também assumir dietas alimentares.

Alto Volume

Verdade que quem veste fora do padrão estipulado pela moda tem dificuldade em achar novidades nas lojas especializadas em roupas com manequins maiores.

Embora as opções ainda sejam muito limitadas, um número crescente de grifes vem se esforçando em criar modelos mais modernos, para tentar abocanhar esse nicho de mercado e muitas modelagens atuais veste bem qualquer formato de corpo.

Porém as mulheres volumosas devem ter em mente que a moda das magras não fará parte da sua realidade, ou pelo menos, não em todas as peças.

Devem entender que estando acima do peso terão mais dificuldade de encontrar alternativas para tornar seu guarda-roupa interessante.

E precisam apelar ao bom senso na hora de se produzir.

A grande aliada de estar de bem com o guarda-roupa nada mais é do que a própria imagem refletida no espelho. Fazer as pazes com esta imagem reflete no visual.

Como “afinar” com os lançamentos da moda

  • Peças largas encorpam mais, evite.
  • O sensato é usar roupa levemente solta e que valorize o que o corpo tem de melhor.
  • Deixe o colo em evidência e aproveite a moda dos bordados para tornar a roupa mais sedutora.
  • Porém, bordados e outros detalhes mal localizados evidenciam o que quer disfarçar.
  • Abuse das saias: evasê, longas, no joelho, confeccionadas em tecidos fresquinhos e leves com cores escuras e lisas que alongam a silhueta.
  • Ouse nos decotes em V, usados com sutiã com aro.
  • Se o busto for muito grande, decotes mais geométricos ou caindo nos ombros valorizam o colo sem aumentar o volume dos seios.
  • Adote vestidos que alongam a silhueta e deixam o corpo mais leve.
  • Evite os justos, mas também evite os muito soltos. Os vestidos devem ser retos, tipo tubinho ou abrindo em evasê. A cintura alta favorece.
  • Vista blazer e paletó mais compridos, até a altura dos quadris. Prove os masculinos. Vista-os sem abotoar, sobre a camisa ou camiseta.
  • Todas as peças que alongam o tronco e suavizem essa passagem para as pernas são aliadas.
  • Se a perna é grossa, o melhor comprimento das saias é na altura do joelho. As longas também mandam bem.
  • Evite sapato fechado. O tornozelo aumenta visualmente.
  • Importante optar por tecidos naturais como algodão e seda que além de confortáveis, tem bom caimento e facilitam a transpiração.
  • Abuse dos acessórios, como colar, brincos, sapatos, bolsas e óculos modernos.
  • Tons escuros “escondem” mais, mas a moda está super colorida e não há motivos para se limitar a pretos e marinhos.

Nem sempre a magreza foi padrão

Sophia-Loren-beach

  • Na Renascença, durante os séculos XV/XVI, mulheres cheias eram glorificadas, pois simbolizavam feminilidade e fertilidade. Leonardo da Vinci retratou muitas mulheres neste padrão. Sua mais famosa obra, Monalisa, é de uma mulher robusta.
  • A opulência no peso, numa época em que a fome assolava a Europa e a maioria da população era pobre, era vista como riqueza e ostentação.
  • Até os anos 1950 ninguém se descontrolava por causa de peso excedente. O corpo ideal tipo “violão” liderava o ritmo do momento.
  • Sophia Loren com seios e quadris generosos (foto) era considerada o máximo e mantinha suas curvas com pratos de spagueti.
  • Nesta época o Brasil se revoltou quando Marta Rocha não venceu o Miss Universo porque seus quadris ultrapassavam a marca dos cem.
  • O peso só resolveu diminuir na gangorra da estética humana com a glorificação da juventude, a partir da década de 1960 que estabeleceu como o padrão vigente o visual dos adolescentes.