Designer de Moda ou Estilista?

Muita gente fica seduzida pelo brilho dos desfiles de moda ou pelas fotos lustrosas das revistas e tenta um curso de moda.

O vestuário é uma indústria como a das geladeiras, carros ou biscoitos.

O que muda é o produto final porque o processo desgastante é o mesmo para qualquer empresa

Designer ou estilista?

Na tradução literal tanto o designer de moda quanto o estilista são denominados “fashion designers”, não havendo portanto nenhuma diferença na denominação
Ambos podem criar coleções e tudo que a profissão permite exercer.
Mas na hora de encarar o mercado esta diferença aparece.
O designer é um profissional que se preocupa com as questões objetivas e específicas dos produtos na hora da criação.
No estudo do design a formação é direcionada a parte industrial, como o produto será produzido em escala industrial em grandes quantidades e principalmente quais as reais funções na prática que terá, a imagem estética que esse produto representará para o consumidor e qual a utilização simbólica na vida do usuário.

O estilista está mais relacionado com o campo da arte, visto como um artista livre para criar peças únicas, livre na conceituação de um objeto deixando de lado essas questões objetivas dos produtos.

Nas grandes empresas de moda também existe um profissional chamado de  “Diretor Criativo” que engloba estas duas atividades e gerencia os estilistas que trabalham nas coleções. É o profissional que dá personalidade e caráter a uma tendência que se repete em todos os produtos da marca.

Karl Langerfeld é o diretor criativo mais consagrado deste mercado, mas Tom Ford sempre será lembrado pelo estilo que impôs na Gucci enquanto fez moda por lá.

O diretor criativo precisa já ter atuado como estilista, mas na nova tarefa não precisa nem desenhar. Tendo um “felling” do que o mercado de moda deseja ela pinça nas criações de seus colaboradores o que mais se encaixa com o tema da temporada.

Como se denomina quem se formou em Moda?

Quando eu iniciei no mercado de moda, nos anos 1970,  não existiam ainda estas configurações profissionais definidas e nem cursos universitários de moda.

Minha mãe se chateava quando alguém telefonava e pedia para falar com o “costureiro” Xico, afinal eu não costurava e sim criava para a minha indústria a X&C, portanto deveria ter outro tipo de qualificação. Quando todo mundo entendeu o que era estilista e passaram a me reconhecer como tal ela relaxou.

Até os anos 1970 esta não era uma profissão que uma família reconhecesse como “profissão” e nem era desejada como futuro para os filhos.

Engenheiros, médicos ou professores eram considerados profissões. Trabalhar com moda era visto como coisa menor, a não ser que fosse em escala industrial.

Se essa pessoa se formou em Design de Moda, o correto é chamá-la de designer.

Se estudou Estilismos, Moda e Estilo a pessoa é estilista.

Quem está pensando em fazer uma faculdade de Moda, porque adora moda, adora ler blogs de moda e ama muito todo esse universo, sugiro que pesquise mais sobre esse assunto porque não é bem assim que funciona.

O estudo profissional da Moda exige muita criatividade, dedicação e ficar linkada em tudo que acontece no mundo.

O local onde um estilista ou designer vão trabalhar são industrias que comercializam roupas ou objetos inovadores.

Mas será uma indústria como outra qualquer que precisa faturar para existir.

É bom lembrar que a parte glamorosa que os leigos conhecem (desfiles, editoriais) é a finalização de um trabalho pesado que chega a custar seis meses de total dedicação.

Não basta só gostar de moda para encarar um curso destes.

Você precisa ser também um empreendedor porque existem poucas empresas no Brasil que contratam este segmento de  profissionais, portanto na sequencia certamente o designer ou estilista vai ter que  ativar seu próprio negócio para impor suas ideias criativas.

O mercado de moda no Brasil está passando por um período crítico e as grandes empresas normalmente já tem designers em sua equipe.

Mas sempre existirá espaço para quem tem talento.