Como comprar e usar roupas de brechó

O mercado de roupa usada pode ultrapassar o de fast-fashion em alguns anos

O relatório anual da ThredUp, site que vende roupas usadas mostram números bem contundentes: a parte de moda desse mercado de revenda vai representar US$ 41 bilhões (R$ 140 bilhões) em 2022 nos EUA.

Comparando 2016 e 2017, são simplesmente 9 milhões a mais de pessoas comprando roupas de segunda mão em um ano, quase uma Nova York inteira.

O total de consumidores de produtos de segunda mão em 2017 é de 44 milhões – incluindo brechós, feiras e sites.

E o total do mercado de segunda mão norte-americano hoje, de acordo com o relatório, já é de US$ 20 bilhões (R$ 68 bilhões) – disso, quase a metade é de moda.

O estudo diz que o mercado de roupas novas de fato está perdendo clientes pra eles. 66% dos clientes compram roupas usadas de marcas que eles consideram melhores, mas revelam que nunca pagariam o preço cheio de uma roupa nova dessas mesmas marcas.

E pelas projeções, em 2027 o mercado de fast-fashion pode começar a perder pro mercado de usados, mesmo crescendo, pois o segundo tende a crescer mais.

Um dos motivos sugeridos pra essa preferência é que, em um e-commerce de roupas usadas, a quantidade de novidades que chega é constante, inclusive maior que em uma rede de fast-fashion.

O preço chega a ser ainda mais baixo.

E, claro, o fator da sustentabilidade conta bastante: comprar uma roupa usada pode estender a sua vida útil, em média, por 2,2 anos!

A preocupação com a ecologia incentivou muitos consumidores a adotar o comportamento de comprar roupas usadas. Afinal a indústria da moda é altamente poluente no processo de produção e a roupa mais sustentável que existe é a que já está pronta.

Máquina do tempo

Comprar em brechó pode ser vantajoso pelo preço ou para tentar um look individual. Mas para não parecer ter escapado de alguma máquina do tempo e nem levar para casa um monte de roupas velhas é importante conhecer algumas manhas deste comércio original.

  • Existem dois tipos de comércio de roupas usadas. O mais popular é chamado pelos entendidos internacionais de lojas de “Segunda mão” (Thrift shop). Aqui o que vale é o preço, sem pretensões históricas ou qualidade. Geralmente tem que fuçar para encontrar boas compras, sem nenhuma mordomia.
  • Porém o sonho de consumo dos brecholentos está pendurado nas “Vintage shop”. Nos brechós “Vintage”, a coisa é mais chique. As roupas são selecionadas como antiguidades ou pela qualidade. Normalmente são mais caras que a primeira opção, mas ganham no acabamento total e até na facilidade de achar o que interessa, já que a disposição da mercadoria nestas lojas normalmente é mais organizada. Mas em qualquer destes comércios vale conferir o que se compra.

Como comprar

  • Para uma boa compra é necessário tempo para procurar e provar as peças.
  • Tente ficar conhecido do dono do brechó para que ele avise quando chegar o que interessa.
  • Mesmo em brechós, procure qualidade. Porém, alguns defeitos e desgastes devem ser ignorados, afinal são peças antigas e geralmente usadas.
  • Prove tudo. Não confie no tamanho. As medidas do corpo mudam com a época.
  • Peças que precisam consertos ou reformas são arriscadas. Além do resultado questionável, podem custar mais que o preço da roupa.
  • Verifique acabamentos em geral especialmente as bainhas. Se estiverem gastas é impossível aumentar o comprimento, mas não vai ser problema para encurtar.
  • Inspecione os forros (troca-los muitas vezes pode sair caro). Observe as cavas internas. Manchas de suor antigas enfraquecem o tecido e são difíceis de remover.
  • Remendar rasgões também pode custar mais que a peça de brechó.
  • Botões e aviamentos originais também são importantes. Adaptar botões modernos pode alterar o visual da peça.
  • Atenção nas roupas masculinas como paletós, calças, coletes e mantôs. Geralmente os tecidos são mais duráveis e os acabamentos melhores. Os tamanhos menores vestem perfeitamente as mulheres.
  • Aproveite peças em couro. Bem tratados mantém a mesma aparência muitas décadas, porém descarte couros duros e desconfortáveis.
  • Cuidado com os tecidos muito antigos, que apesar de lindos, podem ser pouco maleáveis ou rasgar com facilidade.

Como usar

  • Não vista Vintage da cabeça aos pés. A ideia não é ser “figurino de época”.
  • O certo é misturar o moderno com o passado, sem restrições.
  • Quem ainda resiste à ideia de usar roupas antigas, pode incrementar a produção com acessórios. Óculos com formatos inusitados, colares brincos e pulseiras vistosas, bolsas e sapatos de outras épocas são algumas das opções para um look individual.

Origem dos Brechós

A palavra “brechó” usada no Brasil para definir o comércio de roupas usadas surgiu no século 19.

Um mascate chamado Belchior ficou conhecido no Rio de Janeiro por vender roupas e objetos de segunda mão.

Com o tempo o nome se transformou por corruptela em “brechó”, que acabou sendo traduzido por ‘segunda mão’”

O hábito de vestir roupas usadas começou com os estudantes franceses dos anos 1960, que tentavam compensar a falta de dinheiro com criatividade, produzindo looks extravagantes nos chamados “mercado das pulgas”.

Na virada dos anos 1970 uma nostalgia tomou conta da moda em uma atmosfera dos anos 1930. Nesta época vestir camisolas vitorianas autênticas e comprar jeans usados ou roupas militares vindas do Vietnam, se transformaram em tendência.

Quando a influente grife italiana Prada, em 1996 reprisou sucessos do passado em suas coleções de roupas e acessórios, o estilo “vintage” chegou ao auge.

Com o sucesso da tendência “camp”, explorada pelas coleções da Gucci, os brechós se tornaram um templo para conseguir looks diferenciados e bom preço e um paraíso para os estilistas de moda que buscam referências no passado.