Bendito Algodão

Pouca gente sabe que o fio de algodão deve muito a cantora e atriz Doris Day, a que cantava “Que será, será”.

Os Estados Unidos eram nos anos 1950 um dos maiores produtores de algodão, mas o tecido era mais usado pelas camadas pobres porque não tinha uma história de sofisticação. Algodão era o pano que cobriam os escravos.

Em um acerto milionário com  o estúdio Universal, Doris Day, a mais querida atriz eleita pelo povo americano da época serviria de modelo para uma transformação na imagem do algodão.

 

Os figurinistas dos estúdios acostumados a alfinetar tecidos preciosos tiveram que criar até vestidos de festa de algodão na intenção de dar status ao tecido.

Graças a Doris Day o xadrez virou uma super tendência em todo mundo, fazendo com que Brigite Bardot casasse com um vestido de algodão na estampa “vichy” aquele xadrezinho de cantina italiana que saiu das mesas para vestir as chiques.

Vendo os filmes de Doris Day hoje em dia se pode avaliar a versatilidade deste pano nos fantásticos looks criados para ela.

Com o jeito do Brasil 

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O que seria do verão brasileiro sem os tecidos de algodão?

Praticamente toda a moda para o calor no Brasil é feita neste tecido.

E esta é uma planta nativa do país.

Quando os portugueses em 1653 descobriram algodão selvagem no Maranhão o pano se tornou uma espécie de moeda circulante da época.

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O algodão é a mais importante das fibras têxteis, naturais ou artificiais

As flores do algodão têm vida curtíssima-cerca de 12 horas apenas e a colheita deve ser imediata.

Os elementos que a compõem, celulose, água e gordura, é que constituem a fibra de algodão.

A história do algodão começou na Índia, 15 séculos antes da era cristã, competindo com cânhamo e o linho na fabricação de tecidos.

Da Índia a cultura do algodão passou para a China, onde era chamado de “Tai Yang Zhi Zi” – “Filho do sol”, já que a planta necessita de muito sol para assegurar a resistência de suas fibras.

O algodão foi introduzido na Europa no século 4 a.C. por Alexandre da Macedônia. Os árabes já haviam plantado algodão no século 9 a.C. e os espanhóis, encontraram grandes plantações nas Antilhas, no México e no Peru, feitas por Astecas e Incas.

Nos EUA, ainda colônia inglesa, o algodão já tinha tradição desde o século 16 e se tornou de grande importância econômica para o país.

A Inglaterra, na região de Liverpool e Manchester, liderou o comércio e a produção do algodão no século 18 e 19 (Manchester foi conhecida como “Cottonopólis”) e posteriormente os EUA passaram a produzir e exportar 2/3 do algodão utilizado em todos os produtos fabricados com algodão.

Depois da Segunda Guerra Mundial a demanda mundial por algodão aumentou muito. No ano  de 1960 a produção e o consumo mundial triplicou e nunca mais parou de crescer.

Os mais sofisticados

Algodão egípcio

É considerado o mais fino e de melhor qualidade do mundo. Sua característica é possuir fibras longas e extra longas, macias, mas resistentes.

Apesar de ser plantado também em outras regiões (Estados Unidos, México, Rússia e Uzbequistão) o Egito ainda continua sendo um dos principais paises produtores de algodão do mundo, com duas variedades: o mako, de cor amarelada, do alto Egito e o karnak, branco, do baixo Egito.

A colheita no Egito é manual assegurando que a fibra permaneça intacta, assegurando alta qualidade. Artigos feitos com algodão egípcio é um sinônimo de sofisticação e também de preços mais caros.

Algodão Sea Island

Derivado do algodão egípcio que se desenvolve bem nas ilhas localizadas no sudeste dos Estados Unidos e nas ilhas Ocidentais, como Barbados.

As chamadas Sea Islands formam uma cadeia de mais de cem pequeninas ilhas da costa Atlântica da Carolina do Sul, Geórgia e norte da Flórida.

As flores amarelas com sementes pretas produzem fibras brancas, lustrosas, sedosas e mais longas que as de qualquer outro tipo de algodão, o que permite a fiação de fios extremamente finos com a leveza e a maciez semelhante ao mais fino cashemere.

O sea island é o mais caro dos algodões e representa apenas 0,0004% da produção mundial.

O melhor dos algodoes é colhido manualmente para resguardar a pureza e uma organização especializada inspeciona cada quilo de algodão produzido no local, liberando-o com certificado de qualidade.

A Rainha Vitória, da Inglaterra só usava lenços em algodão sea island e Eduardo VIII, o Duque de Windsor só vestia este tipo de algodão.

Apenas grifes de altíssima qualidade trabalham com algodão sea island. 

Algodão naturalmente colorido

  

Desde 4500 a.C., incas e outros povos antigos da América, assim como da África e da Austrália, já utilizavam o algodão colorido, principalmente na tonalidade marrom.

A crescente demanda por produtos ecologicamente corretos gerou interesse por esta cultura milenar e o algodão já nasce colorido (evitando os poluidores processos de tintura) em tons de marrom, verde e amarelo claro.