A Moda Que Quer Salvar o Mundo

Moda é um dos maiores negócios do mundo pautado no aumento da produtividade e na oferta cada vez mais rápida de novos produtos para a demanda do consumidor.

Esse contexto mutante da moda parece contraditório aos critérios de sustentabilidade  que pretende aumentar a durabilidade do produto, conferindo maior tempo de vida.

O que é moda sustentável?
A moda integrada à sustentabilidade se equilibra em quatro pilares:

Social

A  moda tem uma relação com o indivíduo e se preocupa com toda a cadeia produtiva do pré-consumo, ou seja, quem fez, em que local e sob quais condições.
Cultural

Que tenha ligação com as raízes e origens da peça.

Ecológico

Que busque alternativas de menor impacto negativo no meio ambiente.

 Econômica

Que gere renda e proporcione desenvolvimento local.

 Criadores na moda ecológica

As estilistas mulheres parecem mais sensíveis aos cuidados do meio-ambiente

Mesmo trabalhando com produtos efêmeros se preocupam com a saúde do mundo.

Enquanto existir vaidade, haverá lugar para a moda.

Tentando preservar o cenário para futuros negócios a moda faz da sustentabilidade sua principal tendência.

São poucos ainda os nomes internacionais engajados nesta proposta, mas são poderosos suficientes para comunicar em alto volume.

Katharine Hamnett

A estilista britânica Katharine Hamnett é considerada a pioneira da moda ecológica.

Hamnett se formou na Central Saint Martins School of Art e fundou, em 1979, sua marca.

Repercutiu na cultura pop por suas t-shirts oversided com slogans de cunho político, adotadas por artistas como a banda de “new wave” Wham! no videoclipe do hit “Wake Me Up Before You Go-Go”.

É dela o slogan “Choose life”, inicialmente destinado contra o suicídio e abuso de drogas, e erroneamente empregado por conservadores em campanhas anti-aborto.

Hamnet adotou em sua marca princípios sustentáveis.

Em 1984, a estilista encontrou-se com a Primeira Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, vestida em uma das camisetas de sua autoria, estampada com os dizeres “58% don’t want Pershing”, referindo-se a oposição pública do Reino Unido acerca da instalação dasee mísseis Pershing no país.

Em 2003, Hamnet protestou contra a invasão norte-americana no Iraque nas passarelas da London Fashion Week, com t-shirts estampadas com o slogan “Stop war, blair out”.

Em 2008, causou polêmica por suas acusações de racismo a London Fashion Week: “Os desfiles são cheios de cachorros brancos, as indústrias de cosméticos não gostam de modelos negras. Vadias racistas. Eu não sei por que, é tão óbvio que garotas negras são genuinamente mais bonitas que as caucasianas. As garotas negras têm corpos em formatos muito melhores, e é uma vergonha. Eu só acho que deveria haver mais balanço.”

Vivienne Westwood

“Nós devemos ser capazes de salvar o mundo através da moda” – é o seu lema.

A criadora do punk, Vivienne Westwood, veste a camisa da moda atrelada à consciência social.

Seu lema é: “Compre menos, escolha bem e faça você mesmo”.

Em 2010, Westwood viajou ao Quênia para produzir a coleção de bolsas The African Collection.

A coleção foi produzida em colaboração com o Ethical Fashion Initiative (EFI) da International Trade Centre, organização de apoio às mulheres microprodutoras de comunidades africanas marginalizadas.

Os designs foram criados a partir do uso de materiais como metal reciclado, pedaços de couro e lona reciclada.

As bolsas foram produzidas em uma favela de Nairobi, capital do Quênia, onde cadeados e peças de carros são coletados e derretidos.

O resultado é uma coleção “Handmade With Love”.

Recentemente, Westwood engajou-se na campanha Save The Artic, cujo intuito é conscientizar acerca do perigo da mudança climática.

Stella McCartney

Stella sempre teve convicção de que a moda tem obrigação de ser sustentável, principalmente no mercado de luxo, onde as peças de couro e pele legítimas representam grande parte dos lucros desse segmento.

Filha do ex- Beatle Paul McCartney e da fotógrafa Linda Eastman aos 15 anos  começou a trabalhar com o estilista Christian Lacroix.

Formou-se em 1995 e seu desfile de graduação foi notícia no mundo todo.

A coleção foi comprada por uma loja, e no mesmo ano ela lançou sua própria marca.

Dois anos depois assumia um posto de indiscutível prestígio: tornava-se a substituta do estilista Karl Lagerfeld na marca Chloé.

Sempre levantou a bandeira da sustentabilidade na moda e se recusou a usar couro e pele legítimos para a marca Gucci, de Tom Ford.

Mais tarde a Gucci ofereceu uma proposta irrecusável de lançar a grife Stella McCarney no mundo todo, no segmento de moda de luxo, incluindo acessórios de peles couros e falsos.

Além de roupas ela possui uma linha Care de cosméticos orgânicos para cuidados com a pele, que é desenvolvida pela YSL e só usa ingredientes orgânicos ativos e não faz testes em animais.

Stella também é ativista da PETA (People for Ethical Treatment of Animals – Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) e através dessa organização, narrou um vídeo que descreve a brutalidade da matança de animais.

 “Meu trabalho é fazer roupas desejáveis, luxuosas, acessórios bonitos, que as mulheres querem comprar. Obviamente, não uso peles de animais em minhas coleções, e isso tem um enorme impacto sobre o planeta. A minha primeira decisão é sempre baseada em: posso fazer isso de forma sustentável, sem sacrificar o design? Se eu puder, então não há razão para ir em outra direção.”