Sustentabilidade na moda

Verde é o novo pretinho básico

Estilistas  e consumidores transformaram o conceito da sustentabilidade em sinônimo de glamour, originalidade e responsabilidade

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A Conferência do Clima, a COP-21, que aconteceu em Paris contra o aquecimento global estabeleceu um compromisso entre os participantes para conter o aumento da temperatura a 2ºC neste século.

Com previsão de efeito a partir de 2020, o acordo de Paris determinará todos os esforços para contenção das emissões de gases do efeito estufa que têm prejudicado o desequilíbrio climático do planeta, que faz com que secas, inundações e tempestades sejam cada vez mais comuns, além do preocupante aumento do nível dos mares.

E é natural que o aquecimento global também sirva de inspiração para quem cria roupas e acessórios. A moda é um reflexo do que estamos vivendo.

Os estilistas e a moda funcionam como uma antena parabólica ligada em tudo e também estão fazendo a sua parte a começar pelos eventos de moda que foram os primeiros a ganhar o selo “carbon free”.

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Também conhecida como ecofashion, a moda sustentável prega vestimentas que utilizem matérias-primas ecologicamente corretas, respeitem as leis trabalhistas, levem em consideração o impacto da produção no meio ambiente e garantam a cooperação entre produtor e comunidade local.

Entre os nomes influentes que demonstram esta preocupação nas suas coleções destaque para a estilista inglesa Stella McCartney.

Suas roupas sofisticadas provam que é possível unir elegância, responsabilidade e rentabilidade em uma mesma peça.

A grife não usa couro de vaca e peles de animais, criou uma linha exclusiva para a Adidas produzida com tecidos de PET reciclado e algodão orgânico e desenvolveu uma linha de lingerie feita somente com a fibra natural.

As lojas da marca são abastecidas por energia eólica e utiliza sacolas de papel reciclado ou feitas de milho biodegradável.

A estilista inglesa Vivienne Westwood também levantou a bandeira ecológica e desenvolveu um manifesto em prol do consumo com qualidade e não quantidade.

“Temos que comprar menos e escolher melhor. A moda vai e vem muito rápido. Gostaria de não ter que produzir tantas coleções. Gostaria de fazer menos e cada vez melhor”, declarou a estilista, repetindo os “conselhos” da lendária Coco Chanel, que não se conformava com as mulheres que dispensavam um guarda-roupa inteiro a cada estação.

“A atitude denota muito dinheiro, mas pouco estilo”, alfinetava Chanel.

Armani e Levis já se renderam à causa e lançaram linhas especiais de roupas com algodão orgânico.

A joalheria Cartier lidera um programa mundial de certificação na exploração de pedras preciosas e a Tiffany & Co, abriu mão dos corais naturais na fabricação das joias.

A carioca Osklen faz  ativismo pró-sustentabilidade, com roupas feitas de algodão orgânico, malha de PET reciclada, látex natural da Amazônia, palha, seda e algodão orgânicos, couro de pirarucu, lona de eco juta, além de  utilizar mais de 20 tipos de materiais de origem reciclada, orgânica, natural e artesanal em suas roupas, como fibras de PET, bambu e cânhamo.

A empresa ainda trabalha com produtos de comunidades e cooperativas, ajudando no desenvolvimento sócio-econômico dos grupos envolvidos ao longo da cadeia de produção, como a juta de Castanhal, no Pará, que produz os acessórios da coleção da grife.

A editora da revista Vogue, Anna Wintor, uma das primeiras a citar em um editorial o tema moda atrelado à ecologia, declarou: “fashion não é olhar para trás, é sempre olhar para frente”.

O aquecimento inspira

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  •  Novos estilistas trabalham com conceitos como a reutilização de tecidos, a redução de resíduos e a reciclagem do que parecia perdido como Gary Harvey (foto) e os brasileiros Geová Rorigues (sucesso nos Estados Unidos), Priscila Gomide e Carollina França.
  • Cores são produzidas a partir de pigmentos naturais de plantas, cascas de árvores e raízes. O corante natural não polui a natureza nem a água. O processo é todo natural, inclusive o de fixação. Na grande indústria, a fixação das cores nos tecidos é frequentemente realizada com o uso de metais pesados que prejudicam o meio ambiente e a saúde.
  • Linho, algodão e seda têm sido os tecidos preferidos dos estilistas por usar fibras naturais na composição. Alguns tipos de algodão já saem coloridos do pé, sem utilizar água e tinturas para colorir o fio. Até o bambu está sendo manufaturado em roupas na busca de soluções ecologicamente corretas.
  • Muitas empresas já trabalham somente com algodão orgânico e outras fazem jeans de garrafas Pet recicladas.
  • Os tecidos propostos para as próximas estações têm caimento fluido, como se estivesse molhado em jersey ou acetato que ajudam a refrescar o corpo.
  • A designer americana Fiona Carswell criou um biquíni sensível às radiações ultravioletas que quando exposto aos raios UV apresenta manchas semelhantes às pintas na pele, avisando que é hora de fugir do sol.
  • A poderosa Victoria’s Secret mantêm uma coleção toda feita de algodão orgânico.