Saudades dos anos 1970

A moda deste e do próximo inverno está com nostalgia dos anos 1970

Há 47 anos atrás, durante os dias 15, 16 e 17 de Agosto – respectivamente sexta – feira, sábado e domingo – no interior do estado de NOVA YORK, na então pacata Cidade de Bethel, nos Estados Unidos, acontecia aquele seria considerado ” O Maior Evento da Cultura Pop”.
Anunciado como “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música”, o Festival de Woodstock contou com presença de mais de 32 artistas durante pouco mais de 3 dias  o festival estendeu – se até as primeiras horas do dia 18 de agosto

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A década foi marcada por um mix de diferentes e ousados estilos, criando um visual único e que até hoje influencia estilistas e consumidores.

Rebeldia e a contracultura foram os combustíveis dessa postura sem regras.

A ideologia hippie era ligada à natureza e aos valores de simplicidade e inocência.

Negavam a ostentação, o luxo, o capitalismo e a vida consumista e burguesa.

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Os jovens abandonavam seus lares para viverem essa utopia em comunidades no campo, longe da cidade, onde podiam experimentar o amor livre, a autossuficiência, a expansão da mente através de drogas lisérgicas, e uma maneira diferente de compartilhar a experiência humana.

A estética hippie vestia homens e mulheres com roupas leves e coloridas

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Época exótica que celebrava culturas distantes como o Marrocos, a Turquia ou o Irã e também transgressora ao misturar o folclórico com roupas de tempos passados como os uniformes militares do século 19, popularizados na capa do LP dos Beatles Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Tudo estava permitido no recém-inventado prêt-à-porter.

Estampas psicodélicas desfilavam nas araras das influentes lojas “Granny Takes a Trip” e “Barbara Hulanicki”, fundamentais para a criação e popularização dos conceitos da época.

Looks andróginos eram chamados de “unissex” e o jeans era o tecido campeão em reciclagens fabulosas.

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A moda sem regras dos anos 1970 podia misturar lingerie e tricot, peças vitorianas e militares com plumas e estampas lisérgicas, Art Nouveau, Art Decô e peças do período vitoriano, tudo num só look.

O comunismo também despertava interesse e Cabul, a capital do Afeganistão, foi símbolo de glamour, durante o período comunista, até os anos 1980, pois as mulheres podiam ser livres pela primeira vez sem a opressão da religião.

Desfiles de moda, mesclando tradição às tendências europeias eram frequentes, assim como uma vida cultural florescente.

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Foi nestes tempos de guerra do Vietnam que o estilo militar ganhou as ruas e vitrines respeitadas.

Os jovens que voltavam da guerra misturavam peças army com figurino civil e este movimento é o responsável pelos káquis, verdes militares e camuflados que contaminaram nosso estilo de vestir.

Vai e Volta

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Conheça como foram criadas algumas peças de roupa dos anos 1970 e que voltaram a moda

Óculos redondos

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Os primeiros registros de óculos aparecem em escritos de Confúcio e serviam apenas como adorno, por volta de 500 a. C. Alguns historiadores contam que Nero teria inventado os primeiros óculos de sol quando usou um pedaço de vidro verde para proteger os olhos num dia de sol forte, para acompanhar uma apresentação.

Os primeiros óculos que foram criados tinham o formato redondo. Depois do gatinho, do aviador, do Wayfarer, os jovens dos anos 1970 curtiram o estilo retrô dos óculos redondos de tempos passados, encontrados nos brechós ou em lojas vanguardas, podendo ser usados por homens ou mulheres.

O beatle John Lennon popularizou este formato, mas a primeira a usar foi Janis Joplin, com uma armação maior e colorida.

Calça boca de sino

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Surgiram inicialmente nas passarelas femininas nos anos 1960, chamadas de pantalonas, de corte reto até embaixo e com bocas que iam de 18 até 63 centímetros e se tornaram símbolos da contracultura, sendo usadas por homens ou mulheres.

A modelagem mais clássica dos anos 1970 é mais estreita e abre a partir do joelho.

A calça jeans com nesgas coloridas, de retalhos, rebites e pedras brilhantes era inspirada na cultura hippie.

As bainhas das calças cobriam os sapatos plataformas, inclusive dos homens.

Chapéu desabado de aba larga

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O chapéu de aba larga chamado de floppy, que significa mole, em inglês, ou mou, em francês traz controvérsias sobre as origens.

No livro “Le chapeau et la mode” de Collin McDowell relata que as hippies londrinas se inspiraram no passado, na moda vitoriana e trouxeram de volta o chapéu estilo Dolly Varden, mas, com as abas livres de estrutura, caindo no rosto.

Virou moda nas praias de Saint Tropez, na França quando Brigitte Bardot adotou.

Jodie Foster usou um no filme “Taxi driver” de Scorsese.

Virou mania nos festivais de música ao ar livre feitos de feltro, palha e camurça, nas estações frias.

Coletes

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Os coletes em geral eram uma peça bastante presente nos anos 1970, por ser uma peça notadamente masculina, era provocativo as mulheres usarem. Era comum o uso de coletes risca de giz ou, no final da década, no estilo oversized, bem masculino Annie Hall, do filme de Woody Allen.

Os casacos e coletes de pele de cabra e acabamento em pele, bordados com seda, tornaram-se um must have da moda afegã, gerando grande demanda de exportação mundial e aparecendo em diversos editoriais de moda, nos anos 1970.

Além do Afeganistão, os casacos e coletes também eram produzidos no Irã e na Turquia.

Flower Power

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Característica marcante no final dos 1960 até meados dos 1970 foi o flower power, o poder da flor, termo usado pela primeira vez pelo poeta Allen Ginsburg, em 1965.

Junto com o “Peace and Love” (paz e amor), foi um slogan usado pelos hippies como um statement da ideologia da não violência e de repúdio à Guerra do Vietnã.

O “flower power” teve seu auge em 1967, quando uma horda de jovens se encontraram na Califórnia, no chamado Verão do Amor. A filosofia tinha na música, sua maior expressão. A música “California Dreamin” conta um pouco dessa utopia, assim como “San Francisco”.

O tecido de algodão substituía os sintéticos e as estampas florais traziam o clima natural, romântico e inocente do campo, era como que um símbolo do movimento.