Moda e feminismo

Como se cruzaram ao longo da história

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Assisti esta semana o filme “As Sufragistas” e fiquei chocado com o tratamento dado as mulheres há apenas cem anos atrás.

Mulheres serviam como escravas e sem direito a nada.

Foi preciso quase um século para se igualar em um mundo machista.

E a moda deu uma super força nesta busca de identidade vestindo as mulheres corretamente para as batalhas históricas que tiveram que enfrentar

A moda e o feminismo nos mesmos trilhos

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O universo fashion encarou a luta pelo direito das mulheres mais de uma vez ao longo dos anos.

Fatos marcantes da trajetória da moda, como a liberação da silhueta feminina por Paul Poiret, que desenvolveu vestidos soltos e chemisiers, se opondo à estética do século 19 – já que ela prendia o corpo da mulher em corseletes e metros de tecido – ou a campanha pelo uso das calças encabeçada por Coco Chanel, colocaram em cheque os padrões de cada época e causaram consequências das mais relevantes para fomentar mudanças na vida das mulheres.

Por meio da vestimenta, a mulher conseguiu reafirmar a sua confiança e poder na sociedade em tempos vulneráveis para a sua afirmação, garantindo segurança para conquistar seu papel como um agente ativo.

Ainda que a parceria entre a moda e o feminismo tenha refletido em muitos triunfos para a luta da mulher, é inegável que o mundo fashion tenha muitas dívidas em relação à igualdade de gênero e liberdade de costumes femininos.

No entanto, de forma consciente, é possível que estes dois elementos dialoguem ao longo da história, como o fizeram muitas vezes até hoje. Afinal de contas, toda mulher tem o poder de ser feminista seja nas ruas ou em seus guarda-roupas.

Tímida ou audaciosamente, desde o final do século XIX e começo do século XX, as mulheres exigiram seu direito ao voto, tomaram seus lugares no mercado de trabalho, decidiram o momento da sua maternidade, se tornaram independentes, conquistaram alguns papéis de lideranças, mas ainda há muito o que se fazer.

Direitos Femininos

Ao longo do século XIX, a função exercida pelas mulheres na sociedade estava longe de ser influente.

Submissa e silenciada, a figura feminina não desfrutava de nenhum direito moral igualitário em comparação aos homens.

Neste período da história, os espartilhos permaneciam em voga – enjaulando suas condutas e comprimindo suas costelas.

Espartilho Feminismo Moda

Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, o espartilho foi perdendo seu brilho enquanto a simplicidade foi colocada em alta e as mulheres passaram a tomar novos postos de trabalho.

Em 1917, a guerra já não era uma preocupação e Coco Chanel, com suas atitudes transgressoras, passou a protagonizar esse período, incluindo o tweed, jaquetas com cortes retos, listras Breton e calças nos guarda-roupas femininos.

Tal sucesso trouxe uma nova visão sobre a feminilidade.

Agora, com praticidade e elegância, as mulheres sequestraram trajes masculinos e avançaram mais um passo no caminho para a liberdade dos costumes.

Coco Chanel - Feminismo

No fim da década de 1940, a primeira coleção de Christian Dior, “The New Look”, seduziu as cinturas e resgatou a necessidade feminina pelo luxo, que havia se perdido durante os últimos anos.

Com vestidos e saias acinturados, bustos evidentes, luvas e saltos, a sofisticação começou a tomar as ruas.

Escasso durante a guerra, o glamour voltara acentuado e simbolizado pelo tailleur bar – um casaco de seda creme com ombros naturais e uma longa saia preta plissada, retratando puro refinamento.

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Marcado pelo feminismo acentuado, bem como uma quebra dos códigos de moda da época, os anos 1960 foram caracterizados por uma riqueza de cores e minissaias.

A expressão cultural e a busca das mulheres por um lugar ativo na sociedade refletiu diretamente em suas roupas.

O amor livre e o desprendimento de padrões fizeram com que o público feminino se sentisse confortável em ousar enquanto o mercado se esforçava para acompanhar uma tendência que estava sendo elaborada espontaneamente.

Foi nesta época que, Yves Saint Laurent criou o smoking para as mulheres, composto com uma blusa transparente e calça masculina, sendo um selo registrado da grife e sinalizando uma nova atitude do público feminino.

“Chanel deu às mulheres a liberdade, mas Yves Saint Laurent lhes deu poder”, disse Pierre Bergé, co-fundador da marca.

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Em 1970, as calças jeans atingiram o ápice da popularidade na moda feminina e o estilo se tornou uma escolha – elas usavam vestidos, calças ou minissaias como quisessem.

Neste cenário, o jeans passou a ser um item universal e que não reconhecia as diferenças de gênero.

Já na década de 1980, o “power dressing” foi um estilo originário dos Estados Unidos e Reino Unido, com o qual as mulheres transmitiram seu poder e autoridade em campos profissionais e políticos estritamente masculinos.

Se tornaram populares os ternos com ombros largos, estofados e cortes fortes e, mais uma vez, o mundo feminino tomou para si peças, até então, usadas apenas por homens, como os ternos Giorgio Armani.

Moda anos 80

Nos anos 1990, a moda voltou a reverenciar a liberdade, evidenciando movimentos como o grunge e o punk.

Ainda de modo retraído a lingerie ganhou destaque, sendo usada à mostra, em diferentes formas e tons.

Calças pantalonas, saias longas e blazers também fizeram parte do look, que contava com uma grande influência minimalista, como a de Rei Kawakubo.

Atualmente, alguns nomes como Prada e Céline buscam desfilar mulheres ao mesmo tempo em que abordam temas como representatividade social.

Em 2014, Karl Lagerfeld marcou a primavera-verão com um desfile recheado de modelos marchando pelas causas feministas, trazendo slogans como: “vote em Coco” e “Ladies First”.