Japonismo Revisitado

Rei Kawakubo, Yohji Yamamoto e Issey Miyake trouxeram mudanças profundas na moda dos anos 1980 e aparecem como influencia nas passarelas mais influentes de Paris

Rei & comme pic2

Chloé, Céline e Givenchy se inspiraram neste movimento estético do “paupérisme“.

A moda no final dos anos 1970 e começo dos 1980 teve uma revolução: os designers japoneses invadiram Paris.

A silhueta oversized, a desconstrução da modelagem, as cores neutras, com destaque para o preto, transformaram o chic em algo contido, empobrecido com glamour.
A estética revolucionou a moda reinante na época que era ultrafeminina e extravagante, as famosas peruas.

Os japonistas impuseram um estilo urbano, assexuado, basicamente preto e cheio de volumes que apagavam as linhas do corpo para criar uma nova silhueta.

Dentre esses designers, Issey Miyake, Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto são alguns desses designers japoneses que “abalaram” Paris, levando seu estilo (que já era consolidado) para a moda global.

Tendência Oriental

Issey Miyake foi o primeiro a unir o design japonês com o ocidental

Estudou Design Gráfico na Universidade Tama, foi para Paris trabalhar nas maisons Laroche e Givenchy e, depois, voltando ao Japão, abriu sua própria empresa em Tóquio.

Em 1973, desfilou nas passarelas parisienses.

Emprestar algumas técnicas de modelagem do kimono japonês – como, por exemplo, a que permitia o tamanho único – são suas marcas registradas.

Miyake ganhou ainda mais destaque quando criou sua coleção Pleats Please, lançada em 1993. As roupas de tecido 100% poliéster plissado eram cortadas e costuradas até três vezes maiores do que o tamanho teria no final, para possibilitar o efeito do plissado. O branding do Pleats Please ainda tem um apelo forte na marca de Miyake, fazendo parte, atualmente da linha de perfumes.

Rei Kawakubo influenciou radicalmente a moda global

Kawakubo é formada em Literatura na Universidade Keio e a formação em Humanas tem a ver com o design e o contexto de sua marca, a Comme des Garçons, mais conceituais, de vanguarda, que permanecem até hoje desde as coleções até o visual merchandising. A Comme des Garçons nasceu em 1969, indo somente em 1981 para Paris. O visual “mendigo”, com roupas oversized e esfarrapadas, além do uso intenso da cor preta (impopular na época) foram extremamente subversivos e entusiasmaram a crítica.

Em 1981 Yohji Yamamoto também chegava a Paris

Yamamoto estudou moda na Bunka Fashion College (a escola mais conceituada de moda do Japão) e criou sua marca em Tóquio em 1971.

O uso do preto é uma de suas marcas registradas, além da silhueta oversized e o contraste com as técnicas de modelagem ocidentais, buscando referência na estrutura do kimono.

A questão do masculino-feminino também é influente em Yamamoto, apostando nas peças andróginas, que não mostram o corpo, em cores neutras.

Desconstrutivismo belga dos anos 1990

Os designers japoneses ganhariam mais tarde seus “discípulos”, os designers belgas (Dries van Noten, Ann Demeulemeester, Martin Margiela e os demais considerados os Antwerp Six), que continuariam a desconstrução do vestuário nos anos 1990 e, ainda hoje, é a marca registrada do design de moda que sai das ótimas escolas da cidade.

Japonismo Atual

O site Tendere sinalizou nas tendências para Primavera-verão 2017 que a desconstrução – vinda dos japoneses e dos belgas, influenciaria as próximas estações.

Mesmo sendo para um público mais sofisticado, isso não torna a tendência menos importante para pintar nos detalhes para outros públicos.

As semanas de moda do hemisfério norte, que aconteceram entre setembro e outubro, mostraram essa desconstrução como uma maneira de inovar na modelagem.

nomade - marc jacobs

Marc Jacobs.

nomade - kanye

Kanye West X Adidas Originals.

nomade urbano - kanye

Kanye West X Adidas Originals

nomade - dries van noten

Dries van Noten.

nomade - paul smith

Paul Smith.

nomade - proenza schouler

Proenza Schouler.

nomade - jw anderson

J.W. Anderson.

nomade - celine

Céline.

nomade - 31 philip lim

Philip Lim.