Histórias e Curiosidades dos Sapatos

Meu reino por um sapato

Qual a mulher que você conhece que não é louca por sapatos?

E com razão.

Talvez nenhuma peça do vestuário diga mais a respeito de quem usa.

Uma mensagem poderosa.

Podem indicar o caráter, nível financeiro e social, profissão, sexo e até mesmo a idade.

A simples escolha de sapatos reflete nossa personalidade, divulgam audaciosas ou distintas, conservadoras ou modernas.

Muitos profissionais de RH se ligam no sapato antes de contratar alguém para trabalhar.

Um sapato bem escolhido sugere que o profissional sabe caminhar com seus próprios saltos.

Libido do vestuário

A dupla pé e sapato são profundamente sensuais.

O próprio movimento de calçar o sapato simula o ato sexual e quando uma mulher tira o sapato sugere que mais coisas estão por vir.

Na antiga China, a pratica de atrofiar os pés, amarrando-os para permanecer pequenos, continha forte caráter sensual.

Os chineses cultuavam “o pé de Lótus” ou “açucena” porque consideravam o pé amarrado aristocrático e ao mesmo tempo infantil e erótico.

Os pés atrofiados mediam apenas dez centímetros de comprimento e eram considerados como símbolo do órgão genital masculino.

Embora longe destas praticas desumanas, ainda hoje muitas mulheres sacrificam o conforto em favor de um belo par de sapatos.

Afinal, um salto vertiginoso muda a estrutura do corpo e ao tira-lo do alinhamento joga o busto para frente, arqueia ligeiramente as costas e realça o traseiro.

O andar se transforma em um gesto provocante, vulnerável e miúdo que os homens acham tão atraente.

A sensual atriz Marilyn Monroe, que nunca desceu do salto, declarava que todas as mulheres deviam agradecer a quem os inventou.

Sapatos em cena

A história dos sapatos nos últimos cem anos é na realidade a batalha das mulheres por maior liberdade e mobilidade.

Até o século 20, os sapatos feitos para durar foram limitados aos muito ricos.

Mas com a industrialização e uso de novas tecnologias os sapatos deixaram de ser feitos de forma artesanal, reduzindo os custos e aumentando a variedade de modelos disponíveis. Mais do que uma escolha de moda, os sapatos passaram a mostrar poder econômico.

Sapatos Passo a Passo

Sapatos são fetiches para as mulheres.

Se você é uma apaixonada por estes acessórios, confira as curiosidades sobre eles.

  • Afrodite, deusa grega do amor, era frequentemente representada nua, apenas com um par de sandálias nos pés.
  • Os saltos vermelhos, que eram um símbolo de classe na Europa dos séculos XVII e XVIII, eram usados apenas pelas classes privilegiadas.
  • Foi patenteado em Oak Hill, Illinois, nos Estados Unidos, um salto de sapato “telescópico” que se podia ajustar em altura.
  • No início do século XIX, o termo inglês slipper designava todo calçado delicado.
  • Maria Antonieta tinha a seu serviço um criado apenas para cuidar dos seus 500 pares de sapatos, que estavam catalogados por data, cor e modelo.
  • Nas décadas de 1880 e 1890 não era de bom tom que uma senhora chamasse demasiado a atenção em público. Regras sobre o vestuário “decente” recomendavam que se deveria usar sapatos escuros.
  • Por volta de 1822, sapateiros norte-americanos criaram os primeiros sapatos “direito” e “esquerdo”, utilizando duas formas. Estes sapatos, então chamados “tortos”, viriam a aumentar grandemente o conforto.
  • No norte da Europa, já desde a Idade do Bronze que se usavam “bolsas para os pés” semelhantes aos mocassins.
  • Na década de 1880, o guarda-roupa de uma mulher que se prezasse não estaria completo sem um abotoador, um artefato criado para fechar as botas e sapatos.
  • Os egípcios e os romanos desenhavam as caras dos seus inimigos nas solas das sandálias para que pudessem literalmente pisá-los.
  • Durante os anos 1930 e 1940, os sapatos de dia que mostrassem os dedos dos pés eram considerados indecentes.
  • Na tradição dos casamentos anglo-saxónicos, o pai da noiva dava ao noivo um dos sapatos da filha para simbolizar transferência de autoridade.
  • As biqueiras curvas datam do século XII, quando seu comprimento era considerado a medida da riqueza do seu portador. No auge desta moda, os sapatos chegaram a medir 60 centímetros do calcanhar até o fim da biqueira.
  • A palavra francesa chausson significa ao mesmo tempo chinela de pano, sapato de ginastica ou de dança e pastel recheado de doce de fruta.
  • Uma pessoa caminha, em média, 3000 Km por ano.
  • As botas até a coxa eram originalmente usadas pelos piratas e contrabandistas que escondiam nelas valores roubados (“booty” em inglês) – uma prática que deu origem ao termo “bootlegging”(contrabando).

 

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Complexo de Cinderela

Mas a adoração a sapatos não é novidade.

A imperatriz Josefina, esposa de Napoleão foi uma das primeiras a admitir.

Chegava a trocar a roupa e os sapatos quatro a cinco vezes por dia, descartando cada par de sapatos depois de usa-los uma única vez.

Maria Antonieta também mantinha uma enorme coleção de sapatos que catalogava por cor e estilo, garantindo que nunca seria vista usando o mesmo par duas vezes seguido.

Alguns pares eram tão delicados que só podiam ser calçados enquanto ela estava sentada.

A falecida editora Diana Vreeland possuía 125 pares de sapatos e botas feitas sob medida, uma miséria perto da coleção de três mil pares de Imelda Marcos, a mais famosa apaixonada por este acessório.

O salto, símbolo absoluto da sedução, foi inventado por Catarina de Médici, mulher de Henrique II.

No seu casamento mandou colocar saltos ao seu sapato para parecer mais alta e magra.

O resultado foi tão bom que o sapateiro passou o resto da vida aumentando os tacos das mulheres da época.

Sapatos de cinema

O designer italiano Salvatore Ferragamo ganhou fama mundial ao calçar Marilyn Monroe.

Ele dizia que o andar estonteante da atriz era resultado dos sapatos desenhados especialmente para a curvatura dos pés dela.

A musa de Hollywood tinha mais de 40 pares criados por ele.

Audrey Hepburn era fã do sapateiro e foi responsável pela febre das flats no fim dos anos 1950, quando atuou no filme Funny Face.

Ela tinha a mania de usar calçados um ou dois números acima do seu para ficar mais confortável.

Os icônicos sapatos vermelhos usados por Judy Garland ao interpretar Dorothy no clássico no filme “O Mágico de Oz” (1939) é o par mais famoso do mundo.

No entanto o calçado era prateado no livro que inspirou o longa.

O roteirista decidiu mudar o tom para enfatizar que se tratava de um dos primeiros filmes em cores do cinema.

Para as filmagens, foram fabricados oito pares (tamanho 35) do valioso sapatinho de rubi.

As peças originais, no entanto, não são cobertas por rubis verdadeiros.

Quem assume o papel da pedra preciosa são pequenas pedrinhas de strass costuradas à mão por figurinistas da MGM.

O último par foi leiloado por 165 mil dólares.

O estilista Manolo Blahnik criou a expressão “salto agulha” para denominar o que até então era chamado de “salto stiletto”.

Atualmente, a Manolo Blahnik é uma das marcas de sapato mais caras do mundo – o preço médio do par é de 1 500 euros (mais de 4 500 reais).

Foi popularizada pela personagem Carrie Bradshaw, do seriado Sex and the City. A atriz Sarah Jessica Parker, que interpreta Carrie, também é fanática pelos valiosos sapatos.

Ela acumula uma centena de exemplares da marca no armário.

Como forma de gratidão à fama que ela ajudou a trazer à sua marca, Manolo Blahnik confeccionou um modelo em homenagem a Sarah Jessica Parker que foi batizado de SJP.

 Salto Alto

O salto “Louis XV”, largo na base e acinturado no meio, nasceu na corte francesa de Luís XV e tem sido usado pelos designers até hoje.

Na corte de Luís XVI, os homens usavam sapatos de saltos pintados com miniaturas de cenas bucólicas ou românticas.

A corte real francesa do século 17 foi a primeira a popularizar o salto alto.

O sapato foi inventado pelos estilistas da corte do rei Luís 14 – o “Rei Sol”.

O objetivo da elevação nos calcanhares era realçar e deixar mais delgadas as pernas do monarca.

O salto mantinha o pé relativamente a salvo da lama.

Além disso, criava uma elevação física correspondente à elevação social dos nobres, e exagerava seu andar afetado.

Justamente por ser tão precário, o salto indicava que a pessoa não tinha medo de cair no chão.

Na verdade, no século 17, os que usavam salto alto, tanto homens como mulheres, com frequência tinham de ser transportados em cadeirinhas carregadas por criados, pois não conseguiam caminhar no calçamento de pedras.

Naquela época, o salto às vezes era uma grande plataforma inteiriça, e para caminhar sobre essas coisas era necessário o apoio constante de dois criados, que seguravam o aristocrata pelos braços, um de cada lado.

O salto agulha surgiu na Itália durante a década de 1950. Era feito de náilon e plástico, que recobriam seu interior de metal.

Melissa


Nos anos 1960, a produção de sapatos teve um boom com o uso de materiais como o PVC, que reduziu os custos.

O plástico tinha tudo a ver com o mood futurista e pop da década – A personagem Barbarella e Paco Rabanne, estilista pioneiro no uso do material, foram os maiores ícones deste estilo.

O primeiro modelo Melissa, lançado pela fabricante brasileira Grendene em 1979, foi inspirado em uma sandália usada por pescadores franceses para caminhar sobre as pedras sem escorregar.

Ele se chamava Aranha e era comercializado apenas na cor preta.

As melissinhas ganharam fama durante a exibição da novela Dancing Days pela Rede Globo.

As sandálias faziam parte do guarda-roupa da personagem Júlia Matos, interpretada pela atriz Sônia Braga.

Júlia as usava com meias de lurex.

No aniversário de 25 anos da marca, em 2004, já haviam sido lançados 500 modelos do sapato.

Entre eles figuram coleções desenhadas pelos estilistas Marcelo Sommer e Alexandre Herchcovitch, e pelos designers irmãos Campana. Alexandre Herchcovitch exibiu uma das coleções que criou – a Sugar – durante a Semana de Moda de Nova York (EUA), em setembro de 2004. Os irmãos Campana demoraram um ano para criar os dois modelos lançados com sua assinatura. Eles fizeram inúmeras visitas à fábrica e construíram maquetes em estúdio.

As sandálias Melissa são distribuídas em 50 países, entre eles EUA, México e Argentina.

Só no Brasil, a marca vende um milhão de pares todos os anos.

Mas o que faz as mulheres sacrificarem orçamentos e até a estrutura dos pés em favor de um belo sapato?

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Talvez porque os pés femininos estão imunes às inibições que rondam o resto do corpo.

Qualquer mulher, mesmo fora de forma pode calçar sapatos modernos, o que nem sempre o corpo permite com o vestuário.

O sapato também pode comunicar um desejo diferente da roupa.

Combinando um vestido sério com sapatos sexy, a informação pode ser lida como uma mulher desejável sem recorrer a roupas ameaçadoramente eróticas.

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Sapato Bijoux

Eles estão em todas as vitrines, brilhando e suplicando para enfeitar os pés.

Um perigo para as viciadas em sapatos.

Quem resiste a um sapato bijoux? São modelos cobertos de cristais ou pedrarias, verdadeiras jóias. Irresistíveis.

Quando a princesa Diana se casou, escolheu sapatos de seda marfim adornados com perolas, lantejoulas de madrepérolas e solas gravadas com ouro. Um luxo!

O casamento e a princesa se foram, mas a lembrança do sapato sobreviveu.

Para que o uso de sapatos tão vistosos permaneça na lembrança é fundamental não abusar do brilho.

Use esta classe de acessório de luxo (salto alto ou flat) com roupas de festa, com básicos, peças neutras ou jeans e camiseta.

Pode combinar com bolsa dourada esporte ou estilosas em palha.