Alta costura de Viktor & Rolf se inspira na técnica Kintsugi

Kintsugi é uma técnica muito valorizada que converte objetos quebrados em verdadeiras obras de arte

O kintsugi acrescenta um novo nível de complexidade estética às peças consertadas.

Faz com que antigas vasilhas coladas sejam ainda mais valorizadas do que as que nunca se quebraram.

A técnica japonesa de restauração de cerâmica inspirou a dupla de estilistas holandeses Viktor & Rolf na alta-costura de verão da grife.

Kintsugi (em japonês “carpintaria com ouro”) é uma antiga técnica japonesa para consertar objetos frágeis de cerâmica quebrados, rompidos ou com rachaduras usando a resina da árvore de laca e pó de ouro.

Sua história remonta o final do século XV quando o xogum Ashikaga Yoshimasa enviou uma de seus potes de chá favoritas para que fosse consertada na China e não gostou nada do trabalho realizado pelos artesões chineses.

Seu vasilhame voltou consertado, mas tinhas uns grampos feios de metal que tornaram o pote tosco.

Descontente, incumbiu alguns de seus comandados que encontrassem artesãos japoneses que tivessem uma melhor solução.

Foi então que os artesãos, imbuídos do espírito zen budista de mushin, desapego e aceitação, consertaram a peça utilizando uma mistura de laca e pó de ouro.

O sucesso do kintsugi foi tal, que alguns colecionadores japoneses foram acusados de quebrar deliberadamente valiosas cerâmicas, só para consertá-las com ouro.

Viktor & Rolf  Verão 2016/17 Haute Couture

Na cultura japonesa, as peças que recebem esta reparação comumente são mais valorizadas que as que estão intactas. Isso por que sua estética trabalha mais com questões como a transitoriedade e a impermanência do que com a beleza propriamente.